Fonoaudiologia Estética: interface entre Motricidade Orofacial e Estética da Face

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Submission Date: 2021-08-27
Review Date: 2021-09-06
Pubblication Date: 2021-09-20

Introduction

O rejuvenescimento facial mudou do simples apagamento de rugas e estiramento cirúrgico para um enfoque holístico de suavização de rugas (Monteiro, 2010).

O surgimento das rugas pode estar relacionado com as alterações miofuncionais e posturais. Os movimentos da mímica facial, a respiração a mastigação, a deglutição e a fala ocorrem com extrema frequência no dai-a dia e , se realizados de modo inadequados, podem contribuir significamente para a formação precoce das rugas              ( Pierotti, 2004). Dessa forma, a busca pelo equilibrio orofacial, muscular e funcional pode ser considerado como o pilar principal na intervenção fonoaudiologica para obter os resultados estéticos de harmonização orofacial (suavizar e/ prevenir as rugas).

A Motricidade Orofacial (área especializada da Fonoaudiologia) é a base para o desenvolvimento desta terapia no âmito fonoaudiológico, considerada de cunho natural. Uma proposta de resgate da estética da face, que atende aos adeptos do rejuvenescimento de caráter  não invasivo (Lepri, 2020).

O envelhecimento é um processo gradual e contínuo de mutação natural que surge no início da idade adulta que inclui uma série de alterações que atuam em conjunto, e determinam várias alterações, como  por exemplo, rugas indesejadas. É um processo que resulta em mudanças estruturais da face que estão ligadas à ação muscular, flacidez da pele, perda de sustentação óssea e redução do volume dos compartimentos gordurosos faciais, que ao longo dos anos geram mudanças em seu contorno e harmonia.

À luz da Fonoaudiologia,  serão discutidos os fundamentos de base  da Motricidade Orofacial  que justificam  e permeiam a Fonoaudiologia Estética como uma possibilidade de intervenção voltada aos aspectos estéticos da face.

Motricidade Orofacial

Motricidade orofacial é “a especialidade voltada ao estudo, pesquisa, prevenção, avaliação, diagnóstico, desenvolvimento, qualificação, aprimoramento e reabilitação dos aspectos estruturais e funcionais das regiões orofacial e cervical” (CFFa. RESOLUÇÃO Nº 320, de 17 de fevereiro de 2006). O fonoaudiólogo também é treinado para atuar na prevenção, avaliação e tratamento de pessoas com comprometimento dessas funções, estão diretamente relacionados aos aspectos estéticos da face (Mandelbaum, Bianchini, 2016).

A Fonoaudiologia diversificou sua prática clínica para a Motricidade Orofacial, a fim de promover no indivíduo também uma aparência jovem, saudável, com expressões suaves, amenizando os efeitos do envelhecimento e, consequentemente, no funcionamento de todo o complexo orofacial ( Brito, 2011).

Fonoaudiologia Estética

A Fonoaudiologia tem colaborado para a estética facial na medida em que modifica posturas , recondiciona os músculos , redefine contornos e reprograma as funções orofaciais, favorecendo o equilíbrio necessário aliando saúde e bem estar em um mesmo contexto. De resultados obtém-se, uma face mais harmoniosa sem perder as suas características individuais . É uma alternativa natural e não invasiva para atenuar os problemas estéticos, buscando o equilíbrio da musculatura da face  das funções vitais do organismo (respiração, sucção, mastigação, deglutição) e sociais (fonação e articulação), que são de extrema importância para a manutenção de todo o equilíbrio físico-biológico do ser humano.

Aslterações na execução das funções oraofaciais  são consideradas  como uma das causas gerais do envelhecimento precoce que podem ser reduzidas, abrandadas ou revertidas através de um programa terapêutico específico respeitando as características individuais.Dentre as áreas que estudam e desenvolvem a estética, e como amenizar os efeitos do envelhecimento, destaca-se a fonoaudiologia estética,  uma abordagem recente , mas o interesse pelo tema vem crescendo a cada dia.

 Acredita-se que o aparecimento de rugas também possa estar relacionado a alterações miofuncionais, que muitas vezes levam a disfunções do Sistema Estomatognático (Valente, 2016).

Para Brunetti e Montenegro 2002, a perda de massa e tônus ​​muscular acaba envolvendo a pele, o tecido conjuntivo e o osso, por estarem todos intimamente relacionados, gerando o aspecto característico de “rugas faciais”.

A diminuição do tônus ​​da musculatura facial, principalmente dos músculos bucinadores maiores e menores e dos zigomáticos, provoca flacidez facial, determinando consequentemente uma baixa resistência à tração da face, produzindo efeitos de envelhecimento precoce (Jardini, 2001; Jardini , 2002; Tasca, 2002).

A função da mastigação, por exemplo , desempenha um papel fundamental no equilíbrio funcional e estético do rosto. Quando unilateral, causa danos relacionados à simetria do músculo facial (assimetria) e à remodelação óssea (o osso necessita de estimulação para manter sua forma e densidade). A falta de estímulos pode acelerar a reabsorção da mandíbula e, consequentemente, causar flacidez e perda de contornos que é considerada um dos estigmas mais indesejáveis ​​do envelhecimento, sabe-se que a definição dos contornos confere juventude ao rosto (Misch , 2006).

Para execução correta  da deglutição,  é importante ressaltar que a língua recebe o líquido e / ou alimento, que sobe em direção ao palato e exerce sua força. A seguir, a deglutição continua inconsciente e internamente, dentro do aparelho oral. Enquanto engolimos, não deve haver envolvimento dos músculos faciais. Mas, em vez disso, muitas pessoas, ao engolir, forçam os lados da boca a fazer uma careta. E, contando com o fato de engolirmos cerca de três vezes por minuto, esses movimentos repetitivos podem marcar o rosto por meio de rugas “indesejáveis”. A “força” para engolir está na língua e nosso rosto não participa desse ato (Lepri, 2020).

Além desses aspectos, os movimentos repetitivos realizados pelos indivíduos durante o desempenho das funções estomatognáticas podem desencadear o aparecimento dessas dobras de expressão. Quando essas funções estão em equilíbrio, a repetição desses movimentos pode ser inofensiva, por um tempo, gerando apenas rugas transitórias. Porém, se realizados de maneira inadequada, por muito tempo e com uso abusivo da musculatura, esses movimentos podem esculpir prematuramente as chamadas linhas de expressão estáticas (Madeira, 2003; Ulson, 2003).

Estética, harmonização, função , integração multidisciplinaridade são conceitos associados à Fonoaudiologia Estética que pode ser  considerada uma grande aliada não apenas para o restabelescimento funcional mas também do  bem-estar físico mental e social . O peso destas idéias é inquestinonável, porque de fato, a Fonoaudiologia Estética representa um novo momento da Fonoaudiologia. Com advento da   Fonoaudiologia Estética diversificou-se a prática clínica, ampliando a área profissional , mas  mantendo exatamente o mesmo campo de atuação ( Lepri, 2020).

Refernces

  1. Brito, PP. (2001). A fonoaudiologia em busca do belo. Disponible in: URL: http://www.fonosp.org.com.br/edicao  [ 27 de julho de 2021 ].
  2. Brunetti,R., Montenegro ,F. (2002).  Odontogeriatria-noções de interesse clínico,São Paulo, Artes Médicas,480p.
  3. CFFa. RISOLUZIONE N. 320 del 17 febbraio, 2006. Disponible in: https://www.fonoaudiologia.org.br/resolucoes/resolucoes_html/CFFa_N_320_06.htm [28de julho de 2021].
  4. Jardini, R.  S. R. (abr.-jun. 2001). Uso do exercitador facial: um estudo preliminar para fortalecer os músculos faciais. Pró-Fono, 2001. R. Atual.  Cient.,  Barueri,  v. 13, n. 1,  p. 83-89,  .
  5. Jardini, R.  S. R. ( 2002 ). Avaliação eletromiográfica do músculo bucinador flácido usando o exercitador facial. Pró-Fono.
  6. Lepri, Juliana R. (2020). Eletroestimulação na Fonoaudiologia Estética.Ed. Pró-Fono, ISBN: impresso 978-65-87564-00-5; SP/Brasil.
  7. Madeira, M.  C. ( 2003 ). Anatomia da face: bases anátomo-Funcionais para a prática odontológica.  4. ed.  São Paulo: Sarvier,  236 p.
  8. Mandelbaum, E., & Bianchini, G. (2016).  Interfaces  em Motricidade Orofacial.  IN:  Anais do IX Encontro Brasileiro  de  Motricidade  Orofacial.  Faculdade de  odontologia de  Bauru. Universidade de São Paulo.Bauru.
  9. Misch, C. E. ( 2006). Prótese sobre implantes. 1 ed. São Paulo; Santos, 625 p.
  10. Monteiro, Érica. ( 2010). Envelhecimento facial: perda de volume e reposição com ácido hialurônico / Facial aging: volume loss and hialuronic acid ment.
  11. Tasca, S.  M.  T. ( 2002). Programa de aprimoramento muscular em fonoaudiologia estética facial (PAMFEF). Barueri: Pró-Fono, 186 p.
  12. Ulson, S. M. A. (2003). Estética facial: possibilidades da intervenção fonoaudiológica no diagnóstico e tratamento das rugas de expressão. Tópicos em fonoaudiologia. Rio de Janeiro: Revinter, cap. 29, p. 315-39.
  13. Valente, M.F.L. et al.( 2016). Intervenções em Fonoaudiologia estética no Brasil: revisão de literatura. Audiol., Commun. Res., p.1681.